O Espiritismo tem atraído grandes nomes da cultura universal. (parte 4)

Beethoven

Continuemos a fim de mostra ao leitor que o fenômeno espírita e o próprio Espiritismo não foram, apenas, aceitos pelas classes menos cultas, como certa corrente insiste em fazer crer. Célebres compositores testemunharam, também, fenômeno espírita. Alguns ouviam durante o sono peças musicais completas e ao acorda, nada mais tinham a fazer se não transcrevê-las no papel, sem mudar uma nota. Henri Horet, professor de música, sonhou que de sua casa saíam cinco caixões mortuários; dias depois, perdia ele cinco parentes devido a um escapamento de gás. Goethe, em “Cartas a um filho”, conta que Beethoven, referindo-se à fonte que lhe provinha a concepção de suas obras- primas, dizia a Betina: “Sinto-me obrigado a deixar transbordar de todos os lados as ondas de Harmonia provenientes do foco da inspiração. Procura a acompanhá-las e delas eu me apodero apaixonadamente; de novo me escapam e desaparecem entre a multidão de distrações que me cercam. Daí a pouco, tornou a apreender com ardor a inspiração; arrebatado, vou multiplicando todas as modulações, e venho por fim a me apropriar do primeiro pensamento musical. Tenho necessidade de viver só comigo mesmo. Sinto que Deus e os anjos estão mais próximos de mim, na minha arte, do que os outros. Entro em comunhão com eles, e sem temor. A música é o único acesso espiritual nas esferas superiores da inteligência”.

Goethe

E Goethe informa que “ em seguida, após haver composto suas mais suaves harmonias, exclamava Beethoven: “Tive um êxtase! ”. Chamo a atenção do leitor para esta frase de Beethoven, muito significativa e que abre perspectivas: “Entro em comunhão com eles, e sem temor”. Sem temor, disse Beethoven. Mas, se só entrava em comunicação com o mundo dos espíritos através do pensamento, como nos diz Goethe, por que a expressão “sem temor”? Ora, o pensamento, apenas, não pode causar temor a ninguém. Isto nos leva a crer que Beethoven, além do êxtase de que comumente era possuído ao compor, devia observa algo mais que a simples captação de pensamentos exteriores. Nesse caso, sim, teria ele motivos para afirma: “Entro em comunicação com eles, e sem temor”. Outro argumento a fazer desde nosso raciocínio: como podia o compositor cair em êxtase se era surdo e, como tal, não ouvia nada em seu redor? Lembro ao leitor de que não se trata, aqui, do êxtase místico, e sim êxtase nascido pelo arrebatamento musical. Ora, como podia Beethoven arrebatar-se ao ponto de cair em êxtase, se não ouvia o menor ruído? A conclusão só pode ser esta: o êxtase nascia do fenômeno da semi-incorporação, transe mediúnico. Isto não quer dizer que Beethoven, durante o ato da criação artística, funcionasse como simples médium. Os espíritos dele se aproximavam por afinidade e com o intuito único de facilitar-lhe o trabalho – pois não era o compositor surdo? Um compositor surdo é o mesmo que um pintor cego. No entanto, foi Beethoven um dos maiores gênios da música, graças à mediunidade, fato que ele não ocultou. Mozart em carta a um amigo confessava: “Ignoro donde procedem a esses pensamentos e clara de que, como Beethoven, era médium. Seu “Requiem” teve origem extraterrena. É um fato biográfico.

Mozart

Em seu leito Mozart repousava. Tranquilo, quando, de súbito, ouviu suave melodia. Chamou um amigo e disse: “Estou ouvindo música!”O amigo nada ouvia. Arrebatado, Mozart começou a compor nova peça, que seria a última. Ao terminar, chamou sua filha Emelia, mostrou-lhe o manuscrito e disse:” Vem, minha Emelia tomou o manuscrito, cantarolou algumas passagens e, ao voltar-se para o seu pai, encontrou-o morto. Sobre a música celestial que Beethoven e outros compositores ouviam, o espírito de Mozart, já liberto da carne, deu o seguinte testemunho (“Revue Spirite”, de 1859): “Vós na terra fazeis música; aqui, toda a natureza faz ouvir sons melodiosos”. “Há obras musicais e meios de execução de que os vossos não podem sequer dar uma idéia”. Além de Mozart e Beethoven sentiam a influência benéfica do mundo Espiritual Bach, Tartini, Gluck, Haydn, Wagner. Outros compositores, porém, sofreram o fenômeno espírita de modo desagradável; de acordo, aliás, com a vibração menos moralizada de seus pensamentos. Chopin, muitas vezes, foi possuído por visões medonhas que o deixavam aterrorizado. Boa parte de suas músicas retratas esses momentos. São peças autobiográficas. Aí a razão de Chopin escrever os seus “Noturnos” e sua “Marcha Fúnebre” (talvez, o ponto alto de sua criação) dentro da absoluta escuridão de seu gabinete… Como Beethoven e Mozart, também Massenet ouvia melodias extraterrenas. Eis seu testemunho pessoal quando o poema sinfônico “Visões” foi interpretando em Leeds, em 1898: “Há alguma coisa de mais ou menos experimental nesta composição, eu desejo que os primeiros que ouvirem não forme a seu respeito uma idéia falsa. Vou referirmos a história da sua gênese. Há muito pouco tempo viajava eu no Simplon. Tendo chegado a um pequeno hotel, situado em meio das montanhas, tomei a resolução de ai passar alguns dias numa tranquilidade absoluta. Instalei-me, pois, para gozar um pouco de repouso; mas , na primeira manhã, em meio desse majestoso silêncio das montanhas, escutei uma voz. Que cantava ela? Não sei. Mas sempre essa voz espiritual, estranha, me ressoava aos ouvidos, e eu fique absorto em um sonho, nascido da voz e da solidão das montanhas”.(“Light”, 1898).

Texto extraído do livro ” Escritores e Fantasmas” de Jorge Rizzini.
Anúncios
Esta entrada foi publicada em Uncategorized. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s